Por que a réplica é o troféu invisível do Branding
- Michelle Mariana Passos

- 21 de jan.
- 2 min de leitura
Presta atenção nessa cena de Casa Gucci, onde a Patrizia Reggiani descobre as falsificações no camelô. A cena é cômica, mas esconde uma das maiores aulas de branding da história do cinema. Enquanto ela vê aquilo como uma ofensa à qualidade, Aldo Gucci enxerga algo muito mais valioso: relevância cultural.
Vamos ser honestos. Ninguém copia o que é irrelevante.
Quando Aldo diz que "a qualidade é para os ricos", mas deixa a dona de casa viver a ilusão de pertencer àquele mundo, ele toca na ferida do mercado de luxo. O produto físico (o couro, a costura, o fecho de bambu) é importante, claro. Mas o intangível, o sonho que aquele logo duplo G carrega, é o que realmente move os ponteiros.
A falsificação como validação de desejo
Do ponto de vista estratégico, a réplica funciona como um termômetro de sucesso. Ela prova que a sua marca transcendeu a prateleira e virou cultura pop. Quando alguém compra uma bolsa falsa, essa pessoa não está apenas comprando um acessório; ela está comprando a sensação de poder que a sua marca construiu.
Isso gera um efeito de onipresença. O logo começa a circular em lugares onde a marca original jamais pisaria. E, ironicamente, essa circulação massiva acaba reforçando o desejo no topo da pirâmide. Quem pode pagar pelo original quer a validação de ter "o verdadeiro", e quem não pode, mantém o mito vivo ao tentar imitá-lo.
O logo vale mais que o produto?
A grande sacada dessa cena é mostrar que, em determinado nível de construção de marca, o símbolo se torna maior que o objeto. A Gucci deixou de ser apenas uma fabricante de malas de couro para se tornar uma vendedora de status.
Para nós, que trabalhamos com estratégia, a lição é clara: a proteção da propriedade intelectual é jurídica e necessária, mas a "pirataria" é, no fundo, um aplauso do mercado. Ela grita para o mundo que você construiu algo tão poderoso que as pessoas aceitam até uma versão piorada, só para sentir o gosto do que você criou.
No fim das contas, a réplica não rouba o lugar do original.
Ela apenas confirma que o original é o rei.



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