O Adeus ao Último Imperador: Por que Valentino é Eterno
- Michelle Mariana Passos

- 19 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de jan.
O mundo ficou menos elegante hoje. Valentino Garavani nos deixou aos 93 anos, em Roma, cercado por quem amava.
Mas dizer que ele foi apenas um estilista é pouco. Ele foi o arquiteto de um sonho que durou décadas.
A história dele é coisa de filme.
Saiu da Itália com apenas 17 anos para estudar em Paris, aprendeu com os mestres e voltou para Roma em 1959 para criar seu império. O começo não foi fácil. Ele quase faliu no primeiro ano.
O motivo? O próprio Valentino admitia: seu "gosto por champanhe" e luxo era maior que o lucro.
Foi a parceria com Giancarlo Giammetti, seu sócio e companheiro de vida, que colocou a casa nos trilhos e permitiu que Valentino focasse no que sabia fazer melhor: criar beleza.
E que beleza. Ele ficou famoso pelo "Vermelho Valentino", aquele tom vibrante de papoula que virou sinônimo de paixão e drama.

Mas ele também chocou a todos com sua lendária "Coleção Branca" nos anos 60, provando que não precisava de cor para mostrar genialidade, apenas corte perfeito, rendas e texturas. A Vogue na época enlouqueceu, chamando ele de o novo ídolo do luxo moderno.
Foto: Getty Imagens
Ele não vestia apenas corpos, vestia ícones. Jackie Kennedy usou Valentino no casamento com Onassis. Liz Taylor se apaixonou pelas roupas dele quando filmava Cleópatra. Décadas depois, vimos Julia Roberts ganhar o Oscar com aquele vestido vintage preto e branco inesquecível e JLo brilhar com reinterpretações de seus clássicos. Ele dizia uma frase simples que resumia tudo: "Eu sei o que as mulheres querem, elas querem ser bonitas".
Valentino vivia a marca que criou. Bronzeado impecável, cabelo sempre no lugar, festas em iates e castelos, e sempre, sempre acompanhado de sua matilha de pugs. Ele era tão comprometido com a elegância que, no verão, deixava o ar condicionado do escritório no máximo só para que todos pudessem trabalhar de terno sem suar. Isso é compromisso com o estilo.
Mesmo depois de se aposentar em 2008, com uma festa de três dias em Roma, ele nunca sumiu. Continuou na primeira fila, aplaudindo de pé sucessores como Pierpaolo Piccioli, com lágrimas nos olhos, provando que seu amor pela moda era vitalício.
Valentino Garavani não criou apenas roupas, ele definiu o que é ser uma dama e o que é o verdadeiro glamour. O homem se foi, mas o sonho da "dolce vita" que ele desenhou continua vivo.
Grazie, Maestro.

(Nota de serviço: Para quem estiver em Roma, o velório acontece dias 21 e 22 de janeiro na Piazza Mignanelli, e a despedida final será no dia 23, na Basílica de Santa Maria degli Angeli.)












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